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agosto 15, 2017

Coisas de que não preciso para ser feliz


Olá perambulantes!

Em 2012 recebi um e-mail (era muito usado na época - enviar textos e mensagens por e-mail. Hoje já está um pouco "demodê" rsrsrs), que a cada dia está mais atual.
Está assinado por Frei Beto e considero uma boa reflexão para quem ainda gosta de ler...



Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão.

Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.

Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.

Aquilo me fez refletir: ‘Qual dos dois modelos produz felicidade?’.

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei:

‘Não foi à aula?’. Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’.

Comemorei: ‘Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’.

‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã…’.

‘Que tanta coisa?’, perguntei.

‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada.

Fiquei pensando: ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’.

Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.


Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!

Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’.

Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais…

A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.

Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!’.

O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba  precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.


O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental, três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse. Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.

Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas…

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno…

Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald…

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: ‘Estou apenas fazendo um passeio socrático.’. Diante de seus olhares espantados, explico: ‘Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:… “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser Feliz”!!

Frei Beto




Lojinha Poções de Arte
com decoração no tema náutico!

Clique na imagem para aparatar.




35 comentários:

✿ chica disse...

Um texto lindo,mensagens ótimas nele..Ler e refletir! Adorei o quadrinho porta chaves de tema náutico! Linda semana! bjs, chica

Denise disse...

Bom dia, amiga!
Ótima reflexão. A arteirice também ficou um mimo!
Ótima semana pra você!
Bjs.
http://dedeartes-denise.blogspot.com

Nidja Andrade disse...

Começar compreendendo que desta vida nada levaremos, exceto experiência...Que absolutamente tudo de que dispomos nos serve apenas em caráter provisório...
AbraçO

Anna Lê disse...

Nossa amôura... serve muito para reflexão esse texto. Muito bom mesmo !

Beijo !

| O Blog Que Não é Blog |

| Julinha e os Vídeos - Canal do Youtube |

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Tiane disse...

Que sensacional, Bruxinha!!!!
Com relação a shoppings, já curti, na adolescência. Mesmo assim, não ia muito, mas curtia ficar zanzando pelo shopping com as amigas. Hoje, não aguento muito tempo. Vou apenas, quando preciso comprar alguma coisa, algum presente.
Mas não vou ficar de santinha aqui. Não curto ficar olhando vitrine de lojas de sapatos, bolsas e roupas mas,se for uma loja de artesanato, uma floricultura, banca de revista, livraria ou até, agropecuárias... tenho que prender o diabinho consumista sem noção que tem dentro de mim!
Com isso, concluo que, tudo que é demais, não é bom! Malhar é preciso, mas não demais! Adorei a parte do "como estava o defunto? Não tinha uma celulite!! rararara Amizades, mesmo que virtuais, são óóóóótimas!!!!! Mas não podemos viver o tempo todo no mundo virtual. É bem como ele falou, conversamos com alguém lá do outro lado do mundo e não conhecemos os nossos vizinhos.
Adorei o texto e, apesar de me identificar com algumas imbecializações da sociedade atual, me identifiquei muuuito com a reflexão final, pois cada vez mais, tenho percebido que não preciso de muita coisa para ser feliz.
Boa semana Bruxinha!!!
Ah, agora, estes textos chegam por zapzap...

Alessandra Santos disse...

Boa tarde querida Amiga!
Saudades...
Amei o texto...que saudades dos e-mails, a gente recebia cada mensagem linda...
E essa é maravilhosa...
Super atual...
Infelizmente vivemos nesse mundo Virtual sem fim...
Claro...tem o lado ótimo das nossas amizades, das nossas pesquisas, mas muitas pessoas não vivem outra vida a não ser atrás das telinhas...
Adorei, obrigada por compartilhar...
Um super bjo!
Estou providenciando um post para apresentar o "a" novo membro da Família!

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Márcia!
Tão bonito o que diz sempre frei Beto!
Sua loja é bem graciosa pelo que vejo em seu blog... parabéns!
Seja muito feliz e abençoada!
Bjm de paz e bem

Adriana Helena disse...

Oi querida Márcia, tudo bem minha linda Bruxinha?
Ah, ainda bem que você mencionou sobre este artigo lá no meu cantinho querida!! Me tocou sobremaneira essa mensagem. Antigamente receber
vamos muitos e-mails com mensagens lindas assim e confesso que me faz falta...rsrs Eu gostava daquele tempo!!

Puxa, parece que somos robôs pré-fabricados, fazendo tudo o que o mestre mandar.
É uma reflexão maravilhosa e aponta os caminhos da busca da felicidade verdadeira, com absoluta certeza!
Afinal, precisamos de tão pouco para ser feliz!
Entretanto, a sociedade massificada agrava a nossa vida e nos faz ficar ansiosos...
Ultimamente ando tendo crises de ansiedade e atacando a geladeira à noite, soturnamente...rsrs E pela manhã, me ataca o remorso e saio estabanada correndo para queimar as calorias excedentes!!
Como a vida nos cobra tantas ações Márcia, o trabalho nos consome! E se a gente não der um basta ou perecemos ou adoecemos...
Felizes são os monges com seus mantos cor de açafrão que não tem nada e an verdade, TEM TUDO!!!

Querida, o porta-chaves de âncora da sua lojinha é tão bonito!! Você tem talento de sobra, pois é delicado e muito bem feito! Adoro motivos marinhos e a cor azul! Combina com tudo! Amei!!

Agradeço demais seu carinho sempre querida!!
Desejo uma semana maravilhosa, com tudo de bom e que a ansiedade não nos consuma....rsrs
Beijos, muitos e se cuida!! :)))

emanuel moura disse...

Simplesmente belíssimo momento querida amiga ,gostei muito de ler esta sua linda partilha ,que Deus ilumine sempre a sua vida ,muitos beijinhos no coração felicidades

Ivaneide Henrique disse...

Olá sua linda!!

Parabéns pelo seu maravilhoso trabalho de pesquisa por aqui. Perdão pela demora em vir passear neste cantinho especial,viu? Beijos no core.

Ana Bailune disse...

acabo de comentar em um outro blog e vou repetir aqui: Quando temos menos tempo, aprendemos a valorizá-lo. fato é que todo mundo hoje em dia acha que o tempo é eterno...

Prata da casa disse...

Olá amiga: adorei o texto, mas principalmente a última frase.
As crianças têm tantas atividades extra curriculares que nem têm tempo de serem crianças , o que é uma pena.
Bjn
Márcia

Ateliê Tribo de Judá disse...

Olá minha querida Bruxinha...
E é bem assim o que verdadeiramente valioso não tem peso nem medida, saber viver nesses tempos "modernos" requer muita ....muita sabedoria, nada melhor que fazer uma passeio de vassoura captando as energias.
beijos minha linda.
Joelma

CÉU disse...

Olá, Marcinha, minha querida!

Tudo bem por aí? Aqui, também, felizmente.

Que post! Um dos melhores, que por aqui li e vou reler.

Esse Frei Beto tem uma lucidez "estonteante"! é, agora, tudo está à distância de um clique, até o amor, vejam bem!

Achei excelente a comparação que ele estabeleceu com os monges tibetanos e com as pessoas, que se passeiam por um qualquer shopping. É tal e qual como ele falou!

É importante cuidar e tratar do corpo, sim, ah, mas a parte de dentro tem de estar bem melhor, mais feliz que a exterior.

Parabéns, querida amiga pela post, que decidiu partilhar com a gente.

Beijos e boa semana.

Luli Ap. disse...

Olá bruxinha Márcia, sua linda!
Simplesmente perfeito o texto, além de reflexivo, é inspirador.
Siiiiiiiiim infelizmente acho que a humanidade tem cainhado (e a passos largos) para um futuro um tanto quanto inconsequente.
Me preocupa que crianças brinquem de ser adultas antes da hora, que adolescentes busquem "o ter" no lugar de "ser", que as pessoas não leiam mais tanto por prazer (as vezes só por obrigação como nos casos dos vestibulares), que a sociedade seja tão consumista (eu mesma, não nego, já comprei por impulso muitas vezes antes de me propor consumo consciente e tenho vergonha de dizer que joguei muito alimento e maquiagem vencidos)
A felicidade é tão subjetiva e tão simples que acredito algumas pessoas correm o sério risco de deixá-la passar por não a reconhecerem.
Felicidade é a paz, é desejar o melhor para as pessoas e o mundo, é tratar com amor um animalzinho, ajudar um idoso, brincar com uma criança e tratar todos com respeito.
É colocar a cabeça no travesseiro a noite e descansar um sono tranquilo porque fizemos o melhor que podíamos naquele dia.
Eu gosto bastante do virtual, mas amooooooo estar ao lado da minha família, amigos e dar um beijo estalado e (com a devida licença poética de uma senhorita muito lindona chamada Márcia bruxinha) "abraços esmagadores".
Ahhhhh só pra constar eu amooo e-mails, cartas, bilhetes e cartões <3

Sua arte com navy está simplesmente um encanto, perfeitamente linda, demais, estilosa e combina com tudo!

Oxi me empolguei desculpe o comentario enooooorme.
Bjo estalado e enooooorme pra ti
Luli Café com Leitura na Rede


Denise Moraes disse...

Realmente um ótimo texto, e nada ultrapassado.
Tenha um lindo dia.
Bjo
Denise

Graça Pires disse...

Estou com Frei Beto nesta reflexão que faz sobre os dias de hoje...
Um beijo.

M. disse...

Li tudo e gostei muito!
A minha atenção focou-se, por exemplo, no número de livrarias/academias (cá chamamos ginásios). De facto, na cidade onde vivo, conheço apenas 4 (2 em shopping), e a cidade até é grande. Quando a ginásios, perco a conta! Falando em shopping, já me tinha apercebido de que uma pessoa ali não vê mendigos, nem animais abandonados, etc., como no comércio de rua... Um mundo de plástico.
Beijinhos

Christiane Garcia disse...

Lindo post! Eu não conhecia.
Há anos não passeio em shoppings, por aqui tem um, que só vou para ir ao cinema, acho um horror. Qdo fui no workshop de ponto cruz da Marileny Pido, entrei no shopping tatuapé, tomei um susto! Muita gente passeando por lá. Acho estranho ir no shopping, para bater perna.
Mas a sociedade atual pressiona muito os jovens a ter, a consumir. É preciso ser forte para tomar o seu próprio caminho.
Bjs

Lia disse...

Oiii, Márcia...Seu texto é maravilhoso e reflete tudo que acontece hoje!! Eu e o marido nos retiramos para uma pequena cidade do interior no Dia dos Pais e o que encontramos?? Só pessoas ao celular, ninguém mais tem uma gentileza para trocar...É mesmo uma pena...
Saímos toda tarde a olhar tudo no entorno, visitamos um apiário, conversamos com tantas pessoas, quantas coisas aprendemos nessa viagem...Bjinhos, querida!!

Michelle Hernandez disse...

Bruxinha,
Adorei o texto,lindo e nos faz refletir sobre o imediatismo que vivemos.De querer tudo rápido,se não responder logo,tô de mal,de saber de antemão o último bafão de gente que nem conhece.Eu não tenho instagram,nem whats e meu telefone não é inteligente,mas tem qi suficiente prá que realizar chamadas...rsrs...
Acho um absurdo a exposição execssiva,o mostrar que é isso ou aquilo.Se perdem os valores cada dia mais,e a privacidade se perdeu faz tempo.
Olha aqui tinha refrescado um pouquinho,mas hoje voltou o calorão.Estou de fárias,colocando um projetos em dia e fazendo gordices :)
Besitos e tenha um final de semana abençoado

Cantinho da Gaiata disse...

Gostei de passar e ler este lindo texto, realmente ficamos a pensar.
Para sermos felizes não precisamos de tanta coisa fútil.
Beijinho grande.

Fátima Oliveira disse...

Oi Bruxinha, adorei o texto, e mais ainda por perceber que tantas dessas coisas eu não preciso pra ser feliz, claro que diante de tanto apelo, as vezes caímos na tentação, mas hoje bem menos.
Seu trabalho, como sempre muito lindo.
Amiga obrigada pelo carinho no meu aniversário e do blog, fiquei feliz com suas palavras viu, agradeci também lá nos meus comentários.
Beijos

Ana Freire disse...

Um post, absolutamente sensacional!
Adorei esta partilha formidável... e tal como a Céu... vou ler e reler...
E vou já avisando, Márcia, de que qualquer dia, uns trechos deste texto, surgirão em destaque lá no meu canto, com um link para aqui... já que foi aqui, que descobri esta assertiva e excelente partilha!
Adorei este post! Mesmooooooooo!!!!
Beijinhos! Feliz domingo!
Ana

Arroz Di Leite disse...

Este texto é perfeito.
Bjs

Tânia Camargo

Kasztanowy Domek disse...

Great post! Lovely photos!
kiss:)

xxBasia

Lia disse...

Adoro passar por aqui e ler seus textos...Assim não me sinto uma estranha no ninho!! Às vezes, vejo minha netinha de três anos com tantas atividades e sua alegria quando vem aqui em casa, quando a ensino a plantar, a colher, brincarmos juntas...
Pena que esses momentos são cada vez mais raros, então resolvi fazer páginas das poucas fotos que tenho para registrar nossos momentos!! Quem sabe, um dia ela se lembrará de mim como alguém que foi feliz com poucas coisas!!

Bjinhos e Deus te abençoe!!

Sandra Oliveira disse...

Espetáculo Márcia :)
Muito fixe este texto e verdadeiro!!!
Em Portugal é igual :) Só se pensa em comprar, comprar... !!!
Enfim...
Mas estamos cá nós a tentar fazer melhor :D
Beijinhos

Elisabete disse...

Uma sábia reflexão!
Bjs

Os olhares da Gracinha! disse...

Um texto bem conseguido com uma belíssima reflexão!!! Bj e adorei o trabalho

Isa Sá disse...

Para refletir...

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Pathy Guarnieri disse...

Que texto maravilhoso o dele! Excelente reflexão mesmo!

Beijo!
Cores do Vício

O meu pensamento viaja disse...

Concordo em absoluto com o seu texto. O importante, neste mundo em que vivemos, é TER e não SER.
Beijo

Dinha Ponto Cruz disse...

Super adorei o texto amada perfeito
Vim te deixar uma beijoca

Maria Glória disse...

Eu já havia lido este texto do Frei Beto. É excelente! E o pior, verdadeiro!
Agora vou lá na lojinha para ver as tuas belezas.